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Degustação gratuita de Tokaji no Empório Húngaro

Puttony (plural: puttonyos)

Para quem ainda não conhece um Tokaji (Tokay na grafia inglesa), é uma boa oportunidade de degustá-lo, será degustado um 4 puttonyos.

Não sabe o que são puttonyos?
Veja os posts abaixo:


Empório Húngaro - Rua da Paz, 956 - Chácara Santo Antõnio - 04713-001 - São Paulo - SP -             (11) 5181-6298 ou 2597-0881

Tokaji, um brinde aos sentidos!


Numa deliciosa noite paulistana, tivemos a oportunidade de degustar tecnicamente, na ABS-SP,  4 vinhos da região de Tokaj, intitulados Tokaji, ou conhecidos também por Tokay na grafia inglesa.
Sob a orientação de Ben Howkins, diretor e co-fundador em parceria com High Johnson da  The Royal Tokaji  Wine Company, situada na região de Tokaj na Hungria, degustamos:
  • Royal Tokaji Furmint 2009
  • Royal Tokaji Áts Cuvée Late Harvest
  • Royal Tokaji Blue Label Aszú 5 Puttonyos
  • Royal Tokaji Gold Label Tokaji Aszú 6 Puttonyos
Veja as notas de degustação aqui: Vinhos da Hungria

Mas afinal para quem não é do mundo do vinho, Ou ainda não teve a oportunidade de degustá-lo, já deve estar pensando, o que tem de especial este vinho tokaji Aszú com este nome estranho, conhecido aqui também como tokay Aszú? E o que significa isto de puttonyos sempre associados no nome, 3, 4, 5 ou 6 puttonyos?
A resposta é simples, (por enquanto...rs..) Os vinhos Tokaji Aszú são vinhos doces, assim como o late harvest, porém com uvas que pelo menos em parte, sofreram o ataque do fungo botrytis cinérea, o que acaba por determinar características próprias,  dentre elas o fantástico equilíbrio entre a doçura e a acidez, e aromas específicos, que acontecem por um duelo entre a botrytis cinérea e a videira atacada, numa região onde a natureza por um capricho propiciou um terroir absolutamente único. E neste ponto a coisa deixa de ficar simples e passa a ser bastante complexa. Observem... Tokaj está situado nas montanhas Zemplén, na confluência dos rios Tisza e Bodrog, goza de longos verões ensolarados e outonos secos o que propicia as  névoas matinais, devido ao  encontro dos dois rios,  incentivando o desenvolvimento do botrytis cinérea, que nestas condições ideais, passa de uma praga que destruiria a produção de uvas com  a podridão cinzenta para um fungo benéfico, (mas como assim?) é isso mesmo, o fungo trava um duelo com a videira e nas condições climáticas e geográficas ideais, desenvolve a podridão nobre ao invés da podridão cinzenta e  acaba por nos proporcionar uma das melhores delicias do mundo do vinho, os vinhos botrytizados produzidos por uvas atacadas pela botrytis cinerea na podridão nobre. (Veja imagem abaixo)

As principais uvas de Tokaj

  • Furmint - aproximadamente 70% das plantações na região. Uma variedade com níveis muito elevados de ácido tartárico que é particularmente susceptível a Botrytis.

  • Harslevelu -. Cerca de 25% das plantações. Menos suscetível a Botrytis, mas rica em açúcares e aromas.

  • Muscat de Lunel -. Cerca de 5% das plantações. Uva de difícil de crescimento, mas importante tempero.
Na região específica da The Royal Tokaji  Wine Company, Os solos são em grande parte de barro, com um substrato vulcânico. As trepadeiras tem em torno de 20 anos de idade. Os rendimentos são mantidos em 10 hectolitros por hectare e uma videira rende aproximadamente um copo de vinho.

Entendendo o processo de vinificação do tokaji.

Estes grãos da uva contaminados em Tokaj, passam a se chamar aszú (  bago de uva contaminado pelo botrytis cinérea), as uvas não aszú são vinificadas em primeiro lugar para fazer um vinho base posteriormente os bagos aszú, ou seja os botrytizados, são colocados em um puttony e adicionados ao vinho base, puttony ou no plurak puttonyos, são cestos, ou melhor recipientes tipo uma tina funda de madeira (veja foto abaixo) com a capacidade de cerca de 20 litros que preenchidos com os bagos de uvas contaminados pelo botrytis, são levados à fermentação.



O número de puttonyos adicionados por barril dá o nível de puttonyos final do vinho, impresso no rótulo. A fermentação, que por sinal já é a segunda, ocorre em barris de 140 litros usados chamados de Göncis, que são feitos de carvalho húngaro, em caves e  os vinhos em Tokaj são classificados segundo o volume de aszú que é  colocado no vinho base, sendo isto salientado no rótulo no número de puttonyos.O número se puttonyos vai interferir diretamente na quantidade de açúcar do vinho e nas características organolépticas do mesmo.
Certo? Sim agora ficou mais claro, não é?
Veja tabelinha abaixo e perceba como a quantidade de puttonyos influiu no vinho.
• 3 Puttonyos : 60 - 90  gramas de açúcar por litro
• 4 Puttonyos : 90 - 120 gramas de açúcar por litro
• 5 Puttonyos : 120 - 150 gramas de açúcar por litro
• 6 Puttonyos : 150 - 180 gramas de açúcar por litro
Existindo mais duas classificações acima com uma quantia superior de aszú, mais de 6 puttonyos:
• Aszu Essencia : 180 - 450 gramas de açúcar por litro
• Essencia : 450 - 850  gramas de açúcar por litro
Mas como assim?  Como uma contaminação por fungo pode vir a ser benéfica para a videira e para a produção do vinho, e ainda gerar um vinho especial apreciado no mundo todo? 
E sabem do mais interessante? Isto tudo tem a ver com resveratrol no vinho branco... Resveratrol no vinho branco, como assim se resveratrol tem a ver com o vinho tinto?

Ah- hã...peguei você...rs... 

Vamos entender isto melhor?...
Se for curioso/a como eu , vai querer sim, então 
Leia AQUI: 


Fiz um pequeno resumo que irá ajudá-lo a entender isto, a principal fonte, foi a matéria de um dos meus professores o Doutor José Luiz Alvim Borges, atual presidente de ABS-SP  
(veja as referências de fonte no final da matéria.)


Agora que todos vocês já conhecem um pouco mais sobre os deliciosos tokajis, sugiro  colocar um na geladeira e degustá-lo em silencio absoluto, experimentando este capricho da natureza e agrado dos deuses conosco e assim brindar à vida! 



Enoabraços com desejos de que todos os leitores do blog tenham sempre por perto um tokaji para ser degustado quando bem entender, afinal para se abrir um tokaji, não é preciso nada, sem comida, nem harmonizações e nem cia, apenas a vontade de experimentar este momento de paz e de brinde aos sentidos.

Vinhos Botrytizados - A contaminação que deu mais do que certo.



Existem pelo mundo alguns vinhos curiosos, que se originam de uma contaminação pelo fungo botrytis cinérea, que quando se desenvolve em condições  geográficas e climáticas especiais, origina uma contaminação favorável, a podridão nobre ao invés da podridão cinza e assim,  somos brindados com vinhos doces especialmente deliciosos e caríssimos,  em algumas regiões do mundo, infelizmente todas muito longe de nós:

Em especial: 

  • Tokajis (ou Tokay) da Hungria
  • Sauternes da França
  • Beerenausleses e Trockenbeerenausleses- da Alemanha ( Vale do Reno)
  • Sélection de Grains Nobles da França ( Alsácia e Vale do Loire)
Podem acreditar que uma contaminação possa gerar ao invés de um desastre nas plantações de videiras, um especialíssimo néctar ofertado aos homens como um chamado para  um  brinde junto aos Deuses?

Vamos entender isto melhor... o fungo botrytis cinérea, conforme a tradução do nome, botrytis (cacho de uvas em grego) cinérea (cinzas do latim), produz uma enzima a pectinase que destrói a pectina da película da uva e permite a invasão no bago, a casca com inúmeros furinhos acelera a desidratação da uva, mas, a videira reage, basta uma única uva ser contaminada para que os demais cachos da videira passem a produzir substâncias com propriedades antibióticas, em especial o nosso conhecido resveratrol, isto mesmo, aquele presente no vinho tinto ao qual são atribuídos muitos benefícios para a saúde, mas o fungo não se dá por vencido, reage e produz uma enzima que neutraliza a ação do resveratrol na defesa da uva permitindo a entrada e a contaminação de outros bagos, e então é que vem  a magia perfeita do terroir da região, pois cria-se um equilíbrio entre 3 fatores:

  • 1.       O crescimento do fungo estimulado pela umidade matinal.
  • 2.       Sua inibição pelas tardes quentes e secas.
  • 3.       A reação da videira pelo resveratrol.
Nesta condições especiais que ocorrem em pouquíssimos locais do mundo ao invés do fungo botrytis cinérea causar um mega prejuízo, com a podridão cinzenta, o mesmo causa a podridão nobre e devido as alterações ocorridas durante a luta com  a videira, com a alteração da composição do suco da uva, pois o fungu gera algumas substâncias consumindo outras e nós podemos assim ter um vinho absolutamente especial.
Assim os bagos são desidratados, ficando com uma quantidade superior de açúcar, alterações nos aromas iniciais que seriam gerados tipicamente pelas espécies de uvas, e desenvolvimento de novos aromas e a preservação  da acidez, reduzindo a queda do PH causada pela desidratação.
Além de uma experiência olfativa e gustativa inigualável, este fungo acaba por nos oferecer a presença do resveratrol, até então componente apenas do vinho tinto.

Compreenderam o processo? 

Assim acontece o desenvolvimento dos vinhos doces mais apreciáveis e desejáveis do mundo, eu confesso minha enorme predileção por este estilo de vinho, os Tokaji (ou Tokay) da Hungria, os Sauternes da França, os Beerenauslese e Trockenbeerenauslese- da Alemanha, do Vale do Reno e os 
Sélection de Grains Nobles da França da Alsácia e do Vale do Loire.

Fontes de consulta: 
“Botrytis Cinerea, um fungo de múltiplas facetas” – José Luiz Alvim Borges (Presidente da ABS-SP) – Revista Wine Style.
“Aulas: Vinhos Doces" - Arthur de Azevedo (Vice-precidente ABS-SP)  – Módulo 1 – Curso profissional de vinhos – ABS-SP 


Leia algumas Notas de Degustação de Tokajis AQUI


E matéria sobre Tokaji AQUI Tokaji, um brinde aos sentidos!


Enoabraços,

Gold Label Tokaji Aszu 6 Pottonyos - Royal Tokaji Wine Company


Enocolegas, 
mais uma experiência vínica que faço questão de dividir com todos vocês, segue abaixo a ficha de degustação com os dados do vinho e minhas impressões, lembro a todos que os vinhos aqui citados me trouxeram momentos degustativos agradábilíssimos, e foram considerados:
"de muito especiais a especialíssimos (o que eu chamaria de momentos com os Deuses)" 
e foram degustados em condições satisfatórias de análise e os que  não estão citados na Vinho e Delícias, ou não foram degustados com o propósito e condições de análise, ou não me cativaram especialmente, dentro do estilo do vinho degustado, ou ainda, considerei que talvez não estivessem num bom momento por problemas na adegagem, no transporte, ou da garrafa, como por exemplo apresentar o bouchonné.
Caso queiram conhecer as outras notas minhas de degustação, 
visitem os links:




Rótulo: Gold Label Tokaji Aszu 6 Pottonyos
Produtor: Royal Tokaji Wine Company
País: Hungria
Região: Tokaj
Safra: 2006
Álcool: 9%
Assemblage: porcentagens não informadas
·  Furmint    
·  Harslevelu      
·  Muscat Yellow    
OBS: As bagas aszú (uvas botrytizadas), são acrescentadas nos moldes do estilo Tokaji, neste caso foram utilizados 6 puttonyos (cestos especiais para as bagas aszú), para cada 140 litros de vinho base superior, realizando-se a seguir a segunda fermentação. O vinho foi envelhecido em carvalho por 2 anos e meio antes do engarrafamento que ocorreu em 1 de julho de 2009.
Acidez: 11,2 g/l
Açúcar: 203 g/l


Notas de Degustação:
Vinho branco de belíssimo tom dourado escuro, límpido, translúcido, podendo-se observar lágrimas lentas nas paredes da taça. No olfato, franco, complexo e intenso, notas de nozes, caramelos, pêssegos ácidos em calda, envolvidas por inusitadas nuances de marron glacê. Um delicioso exercício dos sentidos, na boca se revela perfeito com equilibradíssima relação entre a acidez e a doçura. Finaliza com delicioso retrogosto de damascos e belíssima persistência.Intenso, elegante, requintado e surpreendentemente fresco, um vinho que apesar de um alto grau de açúcar, mantem-se refrescante e nada enjoativo, coisa comum em vinhos doces de pouca acidez, aliás este é exatamente, o diferencial de um vinho botrytizado de boa qualidade.
Mais um vinho que merece o lugar na minha caixa de recordações vínicas

Por Camila Helena degustado em:  8 de feveveiro de 2012 



Recomendações:
·         Temperatura de Serviço: 8° a 11°

Veja outros vinhos da Hungria (tokajis/tokay) AQUI 
 Importadora: Inovini antiga Aurora

Blue Label Tokaji Aszú 5 puttonyos - Royal Tokaji Wine Company




Rótulo:  Blue Label Tokaji Aszú 5 puttonyos
Produtor: Royal Tokaji Wine Company
País: Hungria
Região: Tokaj
Safra:  2007
Álcool: 11,5 %
Assemblage: Predominantemente furmint e harslevelu com pequena porcentagem  de muscat. 

OBS: Vinho com parte de uvas botrytizadas, 5 puttonyos ou seja, foram utilizados 5 cestos de 20l de uvas atacadas pelo fungo botrytis cinerea para cada barrica de 140 litros de vinho base, elaborado com uvas selecionadas de vinhedos tops. Foi  fermentado em inox e maturado por 2 anos e meio em barris de carvalho nas caves da vinícola, caves estas datados do século XIII.

Notas de Degustação:
Vinho branco de belíssimo tom amarelo dourado escuro, límpido, translúcido, lágrimas lentas, no olfato de início me chamou a atenção pela combinação surpreendente, um lado delicado e feminino algo doce caramelado, com notas de amêndoas e lembranças da infância de doce de tamarindo, associado à algo mais austero e másculo, que se apresentou em aromas de caixa de charutos, notas tostadas, finalizando após alguns momentos na taça em suaves notas de maracujá maduro.  Na boca, ótima e intensa acidez equilibrada pela presença do açúcar, revelando um equilíbrio sedutor e elegante, retrogosto de caramelo confirmando as notas de charuto e frutas. Delicioso, Uma experiência para apurar os sentidos e alinhar as emoções.

Este foi guardado na minha 
caixinha das lembranças vínicas especiais.


Por Camila Helena  degustado em 8 de fevereiro de 2012 



Recomendações:
·         Temperatura de Serviço: 8° a 11°



Importadora: Inovini antiga Aurora

Veja outros vinhos Húngaros, com Notas de Degustação, AQUI.

Áts Cuvée Late Harvest - Royal Tokaji Wine Company




Rótulo:  Áts Cuvée Late Harvest
Produtor: Royal Tokaji Wine Company
País: Hungria
Região: Tokaj
Safra: 2008
Álcool: 10 %
Assemblage: 
·           70%  Furmint
·          25%  Muscat Amarelo
·            5%  Harslevelu
OBS: Fermentado em inox com leveduras próprias selecionadas e maturado por 8 meses em carvalho húngaro.
Vinho doce de colheita tardia, não é um vinho ászu, ou seja, no mosto não foram utilizadas uvas com bagos botrytizados.
Açúcar residual: 131 g/l
Acidez: 7,9 g/l

Notas de Degustação:
De tonalidade amarelo claro dourado, límpido, transparente e brilhante,um vinho franco extremamente flagrante, com presença de amêndoas, figos caramelados e frutas cristalizadas, na boca vinho doce que revela fantástica acidez em perfeito equilíbrio com a doçura. Fresco, equilibrado, de boa persistência, perfeito para acompanhar um panetone, tortas de frutas, como damascos e certamente uma belíssima companhia para uma torta caseira ou um strudel de maça.
Como sou fã do vinho doce acompanhado dele mesmo o considero perfeito para um momento de reflexão e autoconhecimento. Delicioso!


Por Camila Helena degustado em 08 de fevereiro de 2012 



Recomendações:
·         Temperatura de Serviço: 8° a 11°

 Importadora: Inovini antiga Aurora

Vinhos da Hungria

Tokaji Furmint Royal Tokaji Wine Company






Rótulo:  Tokaji Furmint
Produtor: Royal Tokaji Wine Company
País: Hungria
Região: Tokaj
Safra:  2009
Álcool: 14%
Assemblage: Não
·            100% Furmint
           
OBS: 6,5 g/l de açucar e 5,2 g/l de acidez.

O vinho é originário de vinhas de terroirs diferentes, foi fermentado em barris de carvalho e maturado por 8 meses em carvalho novo.

Notas de Degustação:

Vinho branco de cor amarelo claro, com leves nuances verdeais, límpido, brilhante e translúcido, no olfato, franco e flagrante, revelando aromas florais, especiarias, com notas de erva-doce e pimenta-rosa, forte presença mineral, revelando na taça após cerca de meia hora, deliciosas e suculentas ameixas passas. Na boca presença de ótima acidez equilibrando os 14° de alcool e tornando-os imperceptíveis ao paladar. Persistência média. Macio, delicado, fresco e elegante. Belíssima opção para as noites quentes de verão, como as que temos experimentado.

Por Camila Helena em 08 de fevereiro de 2012 



Recomendações:
·         Temperatura de Serviço: 6º a 8°

Importadora: Inovini antiga Aurora