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Um envolvente Riesling Kabinett do Mosel



Gosto de iniciar degustações com  Rieslings, sou apaixonada por bons Rieslings,  da uva Riesling Renana, atentem que não é o Riesling Itálico, bastante usado no Brasil na produção de espumantes.
Já escrevi sobre isto aqui no Vinho e Delícias, links abaixo.

Riesling Renana
Riesling Itálica


Desta vez,  foram degustados 6 rieslings, do Mosel, do Kabinett  ao Auslese (nível de açúcar no mosto) e hoje escolhi este, um Kabinett de classificação Prädikatswein, para dividir as notas de degustação com os enocolegas aqui no Vinho e Delícias.

Notas de Degustação de vinho:

Rótulo:Wehlener Sonnenuhr Selbach-Oster
Riesling Kabinett 2008

Classificação: Prädikatswein / Kabinett
Produtor: Selbach-Oster
País: Alemanha
Região: Mosel
Safra: 2008
Álcool: 12º
Assemblage: 100% Riesling
OBS: Proveniente da parte rochosa do vinhedo Zeltinger Sonnenuhr, no Mosel. Fermentação tradicional com controle de temperatura e não passa por madeira.
Temperatura ideal de serviço: 9º a 11º

Notas de Degustação:

Vinho branco, de amarelo claríssimo, límpido transparente e brilhante, no nariz franco, com impressionante mineral, associado a notas de mel e traços que lembram tamarindos, que eu adoro,  logo vocês notarão, minha paixão por frutas exóticas,  uma das minhas coleções sensoriais que acesso,  da minha memória olfativa, quando analiso vinhos. 
Na boca meio doce, classificarei assim porque não usarei o termo suave, definido no catálogo da importadora, pois aqui no Brasil o termo é pejorativo, associado aos vinhos populares de mesa, de uvas não vitiviníferas que tem o açúcar adicionado, o que não é de forma alguma, uma prática aceita no mundo dos vinhos finos, o açúcar deve ser, desenvolvido no próprio processo de elaboração do vinho.
Na boca revela deliciosa e instigante combinação de acidez e doçura, a doçura que encanta com a acidez travessa que revitaliza a alma… combinação perfeita.
Um espetáculo, só de lembrar deu saudades de tê-lo na taça.

Importadora: Vinci

Enoabraços,

Resling Itálica, a nossa Riesling...chega de confusões.



Este assunto "Rieslings" muitas vezes, gera  dúvidas entre os enófilos, tanto que em degustações de vinhos nacionais, os degustadores ao se depararem com um vinho riesling nacional, ficam em busca dos descritores de aromas típicos minerais, do Riesling Alemão, do Riesling Francês, Austríaco... que não serão nunca encontrados no Riesling nacional, e se alguém disser que os sentiu, desconfie, ele leu sobre a riesling, mas não o suficiente, decorou os descritores e está falando pelo texto, pelo simples fato de que, a Riesling que tipicamente tem aromas minerais, não é plantada aqui no Brasil, a Riesling dos aromas minerais é a Riesling Renana, originária da Alemanha (Leia sobre ela AQUI), e aqui no Brasil a Riesling plantada é a Riesling Itálica de origem desconhecida.
Estive pesquisando e num trabalho de Mauro Celso Zanus e Jorge Tonietto  apresentado no X Congresso Brasileiro de Viticultura e  Enologia e colhi dados interessantes.
A uva Riesling Itálica, tem sua origem desconhecida, é pouco difundida no mundo, tendo uma pequena produção ao norte da Itália e em alguns países europeus: Áustria, Eslovênia, República Tcheca/ Eslováquia e Hungria. No entanto difundiu-se esta variedade aqui no Brasil na região da Serra gaúcha, tendo sido introduzida em 1900, provavelmente por demanda dos imigrantes italianos, que ocuparam a região sul do país, vinda em sua maioria no norte da Itália, no final do século XIX, sendo a primeira casta nobre utilizada na elaboração de vinhos brancos varietais aqui em solo brasileiro. 


Mas porque uma uva que praticamente não é utilizada, no restante do mundo, aqui passou a ser importante e muito cultivada? Atentem que na América do Sul, no chamado cone sul - Chile, Argentina e Uruguay esta variedade parece não ser cultivada.
Pois é, aqui no Brasil, descobriu-se o valor da Riesling Itálica na produção de espumantes, e por várias razões passou a ser muito apreciada, por ser uma variedade muito produtiva, brotar em setembro, portanto com menor risco de geadas tardias e queima dos brotos, mostrando muita adaptação e produtividade. Além disso por não ter um caráter varietal aromático de muita intensidade, por serem seus aromas muito sutis, eles praticamente não interferem no desenvolvimento dos aromas do processo do espumante, possibilitando maior intensidade aos aromas provenientes da segunda fermentação elaborada na própria garrafa (método clássico, ou método champenoise),  e daqueles desenvolvidos no contato com as leveduras (conhecido como "sur lie").
Como viram, esta uva acabou se tornando uma fantástica presença em solos brasileiros e  para o nosso espumante nacional e eu acredito pelo que li, que ela venha a ser um símbolo no futuro, aqui no Brasil.

Enoabraços,

Riesling Renana, conheça um pouco sobre a uva que proporciona vinhos fantásticos!

Originária da Alemanha, e levada para a Alsace (França) a Riesling Renana, é uma cepa de uva branca de variedade Vitis vinífera que tem sua origem ligadas  às margens do Rio Reno, de onde origina o seu nome. É uma cepa muito sensível às condições do terroir, tendo sua adaptação ideal nas regiões próximas dos Rios Reno e Mosel, na Alemanha, sendo uma cepa de maturação tardia, que necessita de clima frio e de boa insolação por ocasião do período do amadurecimento.  

A Riesling Renana, produz vinho com baixo teor alcoólico,  alta e vívida  acidez de qualidade excepcional, proporcionando uma incrível longevidade aos seus vinhos. Apresenta em condições ideais, aromas complexos com traços minerais, cítricos e florais, acrescentando a eles em algumas ocasiões, notas de frutas frescas, como damascos e maracujá, além, em outras frutas confitadas, podendo revelar especiarias e os famosos aromas derivados do petróleo, além do mel silvestre nos vinhos doces como os berenausleses, os trockenberenausleses da Alemanha e nos Selection de Grains Nobles da Alsace da França. (veja o post AQUI)
Uma uva extremamente versátil, se presta à elaboração de vinhos desde os secos até os de colheita tardia ou os vinhos que passaram pelo processo natural da contaminação pelo Botrytis Cinérea (entenda como isto acontece AQUI), responsável pela conhecida contaminação por fungos chamada de “podridão nobre”.  Ou seja, é uma uva fantástica e de revelações surpreendentes, recentemente tive a oportunidade de conhecê-la na expressão austríaca, e fiquei fascinada. (veja o AQUI)

Não se deixem confundir, a Riesling Renana, da qual eu falei acima, nada tem a ver com a Riesling Itálica plantada aqui no Brasil e que vem sendo muito utilizada na elaboração dos espumantes nacionais.
Enoabraços,